Gentemm, achei em minhas andanças pelo mundo virtual , esse artigo do Pr. Charles ,resolvi ler, achei muitooo bomm, queria compartilhar cm vc´s!! Espero que façamm boa leitura :=)Solidão Renovadora
Charles Seriven
Pastor em Sligo, EUA.
Por algum tempo você pode pensar apenas em carros, divertimentos, ou coisas que estão na geladeira. Mas em momentos de perda e desapontamento, você não pode fugir de perguntar qual é o significado da vida, por que estamos aqui, e se vale a pena toda essa azáfama na qual nos debatemos em nosso dia-a-dia. É nessas horas que sentimos a necessidade de satisfação mais profunda, de realização pessoal, num mundo cheio de ameaças intimidadoras e sofrimentos. Você pode tentar satisfazer esses anseios apenas atendendo a seus desejos sensoriais e emocionais, mas, para resolvê-los de verdade, o único meio é levar Deus em conta em sua vida diária. Pode parecer pieguice? Mas não o é. Para dar sentido à sua vida, para gozar de paz, esperança e alegria de viver, você não tem outro caminho a seguir senão esse, de entrar em comunhão com Deus, não esporadicamente, mais como um estilo de vida.
Mas como? Como posso eu viver em ligação com Deus cada dia?
Uma maneira é através do que eu chamo de solidão renovadora. Por este nome eu me refiro à hora silenciosa de devoção, o tempo que se passa a sós, os momentos de oração particular e meditação. Nessa hora você abre o coração a Deus livremente, com humildade, e você encontra a força necessária para andar com firmeza e serenidade, e para sorrir com alegria.
Eu mesmo, às vezes, resisto à prática da solidão renovadora. Passar um tempo a sós às vezes me parece desinteressante.
Um líder religioso veio ao seminário, certa vez, quando eu era estudante, para dar um curso. Uma manhã ele contou-nos que, na noite anterior, havia acordado um pouco depois da meia-noite e ajoelhou-se ao lado de sua cama. Após orar, abriu a sua Bíblia e gastou duas horas em meditação e comunhão com Deus. A história não me inspirou. Ela me fez sentir um pouco culpado e um pouco hostil. Fui tentado a pensar que aquela era apenas uma postura piedosa. E me pareceu também que era uma forma de fuga diante dos grandes problemas que, naqueles anos, na década de sessenta, o mundo estava discutindo calorosamente, tais como a paz e a justiça. Embora eu encontrasse motivação e alegria em partilhar de experiências religiosas, tais como ocorrem em cultos de oração e reuniões de jovens, a solidão não me atraía. Eu não conseguia realizar uma hora de meditação.
Muitos, creio, terão sentido a mesma dificuldade. Você concorda com Ellen White quando ela diz que “far-nos-ia bem passar diariamente uma hora a refletir sobre a vida de Jesus” (O Desejado de Todas as Nações, pág. 83). Você sabe que os heróis da fé, incluindo Jesus, dedicavam tempo à oração e à meditação. Mas estas coisas parecem difíceis ou mesmo impossíveis para você.
E, no entanto, a Bíblia convida a você e a mim para ficarmos em solidão, para uma hora silenciosa de oração e meditação. Se você medita sobre a graça de Deus e sobre os preceitos de Deus, conforme diz o Salmo 1, você será “como a árvore plantada junto à corrente de águas”, produzindo frutos e prosperando em tudo o que você faz (Sal. 1:3). O relato evangélico nos afirma que Jesus “Se retirava” da multidão, indo para o “deserto, e ali orava” (Lucas 5:15 e 16), e, novamente, despedindo a multidão, “subiu ao monte para orar” (Mar. 6:46).
Através de tempos difíceisUm admirável homem de nosso século tomou este assunto muito a sério. Enquanto trabalhava como pastor de uma igreja de fala alemã, na Inglaterra, foi chamado para seu país natal, Alemanha, para lecionar em um seminário, situado em Finkewalde, perto do Mar Báltico.
Um pouco antes, um grupo de líderes religiosos havia-se reunido para protestar contra a participação de igrejas no governo nazista, governo esse que era claramente contrário aos princípios cristãos. Na reunião eles afirmaram: “A palavra de Cristo é a única palavra que nós devemos ouvir e obedecer, tanto na vida como na morte”. Esses líderes formaram um grupo fervoroso em defesa da fé e da Palavra de Deus, no meio evangélico, e foi para o seminário dirigido por eles que foi chamado o pastor acima referido. Sua responsabilidade era formar pastores fiéis e corajosos, que se mantivessem firmes em face dos graves desafios e ameaças daqueles anos. Seu nome era Dietrich Bonhoeffer, e nessa ocasião ele tinha apenas 29 anos. Nos 10 anos seguintes ele escreveu muitos livros, e, no final, foi levado para um campo de concentração onde morreu.
Bonhoeffer sabia que em cada vida há perdas e desapontamentos. Ele sabia que cada coração tem suas inquietudes e seus temores, mas ele cria que a esperança, a alegria e a paz poderiam ser encontradas em Deus. Por essa razão ele ensinava os estudantes de Finkewalde a meditar e orar cada manhã. Aqueles estudantes sabiam dos riscos que eles corriam, e haveriam de correr, naqueles anos de terror do governo nazista. Nenhum deles procurava uma fuga dos grandes problemas de seu tempo, mas foi nessas circunstâncias que Bonhoeffer os ensinou a gastar meia hora cada manhã em meditação silenciosa.
Faça um esforço
Aqueles estudantes tiveram dificuldades também na hora da meditação. Alguns deles pegavam no sono, outros tinham dificuldade em se concentrar e seus pensamentos ficavam vagueando; ainda outros passavam a preparar suas lições. Bonhoeffer finalmente ofereceu-lhes algumas instruções de como usar o tempo na meditação. Essas orientações têm sido para mim uma espécie de manual para minha hora tranqüila, por isso eu gostaria de partilhá-las com você.
Em uma hora tranqüila, disse ele, você deve em primeiro lugar, concentrar-se. Procure ver uma visão, captar uma verdade. Abra seu coração para as conseqüências práticas daquilo que você vê. Peça que o fogo divino destrua tudo o que é mau em seu coração e peça que a água da vida faça florescer tudo o que é bom e verdadeiro. Assim, você se prepara para os passos seguintes. Escolha então uma porção das Escrituras. Bonhoeffer dizia a seus estudantes que pegassem alguns poucos versículos por semana. Cada dia, dizia ele, você focaliza uma pequena parte da passagem, mesmo uma frase ou uma palavra. E você pergunta para você mesmo, o que significa isso para mim hoje? Que consequência pode ter isso em minha vida, nas próximas horas? E durante esse tempo você está ouvindo, confiante em que Deus tem algo específico e pessoal a lhe ensinar através de Sua palavra nesta mesma hora.
Peça também a Deus que abra seu coração e lhe conceda disposição e força pra viver de acordo com o que Ele lhe revelar através de Sua palavra.
É esta idéia que faz com que a meditação e a oração se tornem algo real para mim exatamente agora: você lê, medita, e ora com vistas à sua própria vida, ao seu próprio coração, neste precioso dia.
Minha própria experiência
Bonhoeffer pediu a seus estudantes para que reservassem meia hora a cada manha para sua meditação, para sua solidão renovadora. Em uma carta escrita mais tarde, ele disse que mesmo que fossem poucos minutos por dia, já seria uma ajuda. O que você precisa desenvolver, em qualquer caso, é disciplina, “contra a insantificada pressa e agitação” que permeiam a vida humana em nossos dias.
Comecei minha própria experiência na solidão renovadora. Gasto de 10 a 15 minutos cada manhã ponderando sobre um verso ou frase das Escrituras como uma palavra a mim dirigida naquele dia. Para concentrar meu pensamento, cada dia escrevo uma breve oração, de duas ou três sentenças, inspirada no verso ou na frase sobre que meditei naquela hora, e que servirá de lema para mim durante todo o dia.
Para dar um exemplo, recentemente considerei o verso 3 do Salmo 1, no qual o autor declara que, quando seu deleite está na lei do Senhor, você é “como árvore plantada junto a corrente de águas, que no devido tempo dá o seu fruto“. A oração que escrevi para aquele dia foi esta: “Ó Deus, deixa-me beber hoje da água da vida; possam os meus trabalhos produzir os frutos no tempo da Tua escolha”. Isso cristaliza a lição da palavra de Deus para mim naquele dia.
E em cada momento do dia, quando relembro o que li e o que orei, eu me liberto da opressiva preocupação própria, sabendo que é Deus quem fortalece minha vida, e quem, de acordo com Seus planos (que podem não coincidir com os meus), libera os frutos de meu labor.
Quando Bonhoeffer considerou o que desejamos de nossa meditação, ele disse : “Nós desejamos nos levantar de nossa meditação em um estado diferente daquele quando nos assentamos“. Há mais de um caminho para essa prática devocional, mais de um caminho para experimentar a solidão renovadora. Pode ser ajoelhado ao lado da cama; pode ser assentado em uma cadeira ou andando por uma alameda. O ponto é que, quando em alegre humildade você pára para ouvir a voz de Deus, você encontra força para andar com firmeza e serenidade, e para sorrir com alegria.
Isso, evidentemente, não é tudo em nosso viver com Deus diariamente. Solitude sem o apoio de boas amizades não satisfaz plenamente; solitude sem os frutos da obediência é inadequada. Nem, em qualquer caso, é a solidão renovadora uma realização fácil. Ellen White escreveu que a vida espiritual é uma constante luta. Bonhoeffer disse que a religião é trabalho. A solitude da meditação e da oração põe você em condição de ouvir a voz de Deus e receber
Sua graça, graça que pode expulsar os temores da noite, o mau humor e as emoções incontroláveis que de outra forma você não consegue vencer.
Solidão renovadora faz as misericórdias de Deus novas a cada manhã. Quando você considera tudo o que tem que enfrentar durante o dia, percebe que não pode dispensar as forças que advêm dessa hora de renovação.